domingo, 14 de novembro de 2010

Apanhadores de Flor e a natureza do Espinhaço Carlos Eduardo Mazzetto Silva



     Desde 1500, quando se começou a inventar o Brasil, os povos que tem apego à terra são expropriados dela, tratados como gente menor. Os primeiros foram os índios que tinham este espaço como seu habitat. Felizmente para a humanidade, alguns resistiram e conseguiram conquistar, recentemente, algum direito a viver em seu território. Mas, a expropriação, o genocídio e o espistemicídio (destruição dos conhecimentos) foi de grande monta.
     Mas, existe um ator social invisível no Brasil, meio parente dos indígenas pela herança do apego à terra. Seu nome sociológico e antropológico é campesinato. Já foi e é chamado de pequeno produtor/agricultor, trabalhador rural e mais recentemente vem sendo chamado de agricultor familiar. Em alguns casos, seus grupos recebem hoje o nome de comunidades tradicionais e, nesse caso, se referem a identidades específicas: quilombolas, seringueiros, caiçaras, pantaneiros, geraizeiros, caatingueiros, vazanteiros, beiradeiros, quebradeiras de coco, … Seu destino para a sociedade moderna parece estar traçado: não existir, ser invisível, não ter direitos, habitar “espaços vazios”, dar lugar ao desenvolvimento e seus mega-projetos gulosos de territórios e recursos naturais (barragens, monoculturas, complexos industriais, minerações)…
     Assim como a natureza, essas comunidades são erradicadas para deixar o progresso seguir sua rota cega. Não é à toa, sua vida é conectada com a Mãe-natureza, é seu habitat e sua base de sobrevivência. Não são pouca gente, alguns estudiosos estimam essas comunidades tradicionais em 25 milhões de pessoas!!
     Recentemente, conheci as comunidades “apanhadoras de flor”. Estão aqui, perto do centro de Minas Gerais (região de Diamantina, alto-Jequitinhonha), onde a história minerária fortemente se deu. São milhares de famílias que vivem na Serra do Espinhaço coletando sempre-vivas e uma infinidade de espécies de flor das campinas e carrascos, fazendo pequenas roças de subsistência, criando algum gado solto da serra e nos cerrados do sertão que a rodeiam, garimpando artesanalmente (a chamada faiscagem). Tem múltiplas habilidades e praticam a economia diversificada. Conhecem tudo da vida da Serra: bichos, caças, plantas, lapas, minérios, clima, solos … São os mestres da natureza do lugar. Algumas comunidades tem 300 anos de história de vida na Serra. Entretanto, contraditoriamente, sua vida está sendo impedida por uma política que tem (ou diz ter) o objetivo de preservar a natureza!!!
     Descaminhos da modernidade e de um ambientalismo que reproduz o artificialismo da separação homem/natureza ou, se quisermos, sociedade/natureza. Essa separação, instituída pela modernidade ocidental, se reproduz na concepção dos “parques sem gente”. Querem instituir as chamadas Unidades de Conservação Ambiental de proteção integral em áreas onde ainda existe a biodiversidade característica dos diversos biomas e ecossistemas. Esquecem, ignoram ou não querem ver que essa biodiversidade remanesce ali porque há um modo de vida (sociodiversidade) que se adaptou, convive, maneja e até ritualiza esses ambientes que os preservacionistas da cidade querem proteger.
     Essas comunidades e seus ecossistemas formam um só quadro, uma só paisagem: humana e natural. Os biólogos preservacionistas ao sobrevoarem essas regiões e vê-las na distância das imagens de satélite, crêem que são paisagens meramente “naturais”, não descem à escala da vida humana, ignoram-na. Não percebem que o que remanesce ali é uma sociobiodiversidade oriunda da co-evolução social e natural. Não há nesses lugares a dicotomia entre natureza e cultura – a natureza é culturalmente apropriada e transformada/conservada; a cultura é produto do processo de adaptação e convivência com a mãe-natureza. A vida se articula aos fluxos e ciclos ecológicos.
     A implantação dessas Unidades de Conservação de proteção integral (na região, a maior é o Parque Nacional das Sempre Vivas, mas existem ainda três parques estaduais: do Rio Preto do Pico do Itambé e Beriberi) a partir desses sobrevôos (sem um estudo local aprofundado) se tornam uma tragédia humana, um atentado sócio-cultural, uma afronta aos direitos humanos, um tiro exterminador no que resta de interação sustentável entre sociedade e natureza. O conflito se instala, as comunidades têm que resistir, afinal esse é o seu lugar, seu território, sua vida. Contraditoriamente, o objetivo da conservação da natureza fica ameaçado, pois aqueles que são os mais aptos e dispostos a defendê-la no seu dia a dia, se transformam em vítimas e inimigos das Unidades de Conservação que as oprimem e expropriam. Não podem mais coletar flores, não podem mais criar gado, não podem mais usar o fogo como elemento de manejo em hipótese nenhuma, não podem coletar um fruto da Serra para se alimentar (tem que deixar para os outros animais que as UCs querem preservar), não podem circular nos caminhos que sempre circularam. Não podem nem mais morar onde moraram por mais de século, pois seu lugar virou parque – um invasor que virou suas vidas de cabeça para baixo. Para onde vão? Já sabemos o enredo, as periferias e favelas urbanas estão aí para nos esclarecer sobre esse repetitivo processo histórico: uma outra paisagem é claro, não mais fruto da co-evolução entre comunidade e natureza, mas da perversidade moderna de sua separação, da eterna expropriação camponesa, os perdedores de sempre. Depois, os governos e seus órgãos organizam seminários sobre o desenvolvimento sustentável …

Carlos Eduardo Mazzetto Silva é Eng. Agrônomo, doutor em Geografia (Ordenamento Territorial e Ambiental/UFF), professor adjunto da Faculdade de Educação da UFMG, autor de “O Cerrado em Disputa: apropriação global e resistências locais” (Ed. CONFEA, 2009), entre outros trabalhos.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Texto paradigmático escrito por um brasileiro que vive na Europa:




"Já vai para 16 anos que estou aqui na Volvo, uma empresa sueca. Trabalhar com eles é uma convivência, no mínimo, interessante. Qualquer projeto aqui demora 2 anos para se concretizar, mesmo que a idéia seja brilhante e simples. É regra. Então, nos processos globais, nós (brasileiros, americanos, australianos, asiáticos) ficamos aflitos por resultados imediatos, uma ansiedade generalizada. Porém, nosso senso de urgência não surte qualquer efeito neste prazo. 

Os suecos discutem, discutem, fazem "n" reuniões, ponderações. E trabalham num esquema bem mais "slow down". O pior é constatar que, no final, acaba sempre dando certo no tempo deles com a maturidade da tecnologia e da necessidade: bem pouco se perde aqui. 

E vejo assim: 

1. O país é do tamanho de São Paulo; 

2. O país tem 2 milhões de habitantes; 

3. Sua maior cidade, Estocolmo, tem 500.000 habitantes (compare com Curitiba, que tem 2 milhões); 

4. Empresas de capital sueco: Volvo, Scania, Ericsson, Electrolux, ABB, Nokia, Nobel Biocare... Nada mal, não? 

5. Para ter uma idéia, a Volvo fabrica os motores propulsores para os foguetes da NASA. 

Digo para os demais nestes nossos grupos globais: os suecos podem estar errados, mas são eles que pagam muitos dos nossos salários. 

Entretanto, vale salientar que não conheço um povo, como povo mesmo, que tenha mais cultura coletiva do que eles. 

Vou contar para vocês uma breve só para dar noção. 

A primeira vez que fui para lá, em 90, um dos colegas suecos me pegava no hotel toda manhã. Era setembro, frio, nevasca.. Chegávamos cedo na Volvo e ele estacionava o carro bem longe da porta de entrada (são 2.000 funcionários de carro). No primeiro dia não disse nada, no segundo, no terceiro... Depois, com um pouco mais de intimidade, numa manhã, perguntei:

"Você tem lugar demarcado para estacionar aqui? Notei que chegamos cedo, o estacionamento vazio e você deixa o carro lá no final." Ele me 
respondeu simples assim: "É que chegamos cedo, então temos tempo de caminhar - quem chegar mais tarde já vai estar atrasado, melhor que fique mais perto da porta. Você não acha?" 

Olha a minha cara! Ainda bem que tive esta na primeira. Deu para rever bastante os meus conceitos. 

Há um grande movimento na Europa hoje, chamado Slow Food. A Slow Food International Association - cujo símbolo é um caracol, tem sua base na Itália (o site www.slowfood.com , é muito interessante. Veja-o!). O que o movimento Slow Food prega é que as pessoas devem comer e beber devagar, saboreando os alimentos, "curtindo" seu preparo, no convívio com a família, com amigos, sem pressa e com qualidade. 

A idéia é a de se contrapor ao espírito do Fast Food e o que ele representa como estilo de vida em que o americano endeusificou. 

A surpresa, porém, é que esse movimento do Slow Food está servindo de base para um movimento mais amplo chamado Slow Europe como salientou a revista Business Week numa edição européia. 

A base de tudo está no questionamento da "pressa" e da "loucura" gerada pela globalização, pelo apelo à "quantidade do ter" em contraposição à qualidade de vida ou à "qualidade do ser". 

Segundo a Business Week, os trabalhadores franceses, embora trabalhem menos horas (35 horas por semana) são mais produtivos que seus colegas americanos ou ingleses. 

E os alemães, que em muitas empresas instituíram uma semana de 28,8 horas de trabalho, viram sua produtividade crescer nada menos que 20%. 

Essa chamada "slow atitude" está chamando a atenção até dos americanos, apologistas do "Fast" (rápido) e do "Do it now" (faça já). 

Portanto, essa "atitude sem-pressa" não significa fazer menos, nem ter menor produtividade. 

Significa, sim, fazer as coisas e trabalhar com mais "qualidade" e "produtividade" com maior perfeição, atenção aos detalhes e com menos 
"stress". 

Significa retomar os valores da família, dos amigos, do tempo livre, do lazer, das pequenas comunidades, do "local", presente e concreto em 
contraposição ao "global" - indefinido e anônimo. Significa a retomada dos valores essenciais do ser humano, dos pequenos prazeres do cotidiano, da simplicidade de viver e conviver e até da religião e da fé. 

Significa um ambiente de trabalho menos coercitivo, mais alegre, mais "leve" e, portanto, mais produtivo onde seres humanos, felizes, fazem 
com prazer, o que sabem fazer de melhor. 

Gostaria de que você pensasse um pouco sobre isso... 

Será que os velhos ditados "Devagar se vai ao longe" ou ainda "A pressa é inimiga da perfeição" não merecem novamente nossa atenção nestes tempos de desenfreada loucura?

Será que nossas empresas não deveriam também pensar em programas sérios de "qualidade sem-pressa" até para aumentar a produtividade e qualidade de nossos produtos e serviços sem a necessária perda da "qualidade do ser"? 

No filme "Perfume de Mulher", há uma cena inesquecível, em que um personagem cego, vivido por Al Pacino, tira uma moça para dançar e ela 
responde: "Não posso, porque meu noivo vai chegar em poucos minutos." --"Mas em um momento se vive uma vida" - responde ele, conduzindo-a num passo de tango. 

E esta pequena cena é o momento mais bonito do filme. 

Algumas pessoas vivem correndo atrás do tempo, mas parece que só alcançam quando morrem enfartados, ou algo assim.. Para outros, o tempo demora a passar; ficam ansiosos com o futuro e se esquecem de viver o presente, que é o único tempo que existe. 

Tempo todo mundo tem, por igual!Ninguém tem mais nem menos que 24 horas por dia. A diferença é o que cada um faz do seu tempo. Precisamos saber aproveitar cada momento, porque, como disse John Lennon: 

"A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro"... 

Parabéns por ter lido até o final!

Muitos não lerão esta mensagem até o final, porque não podem "perder" o seu tempo neste mundo globalizado. Pense e reflita, até que ponto vale a pena deixar de curtir sua família. De ficar com a pessoa amada, ir pescar no fim de semana ou outras coisas... Poderá ser tarde demais! Saber aprender para sobreviver...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010




Mais de um bilhão de pessoas passam fome no mundo, diz ONU

Centro de racionamento de alimentos na Somália (arquivo)
Partes da África estão entre as mais atingidas pela fome
Mais de um bilhão de pessoas, cerca de um sexto da população mundial, sofre com a subnutrição de acordo com o relatório anual da Organização das Nações Unidas (ONU) a respeito de segurança alimentar, divulgado nesta quarta-feira.
O relatório elaborado pela FAO, a agência da ONU para alimentação e agricultura, afirma que o número de pessoas que sofre com a fome estava crescendo antes mesmo da crise econômica mundial, mas depois a situação piorou ainda mais.
"A FAO estima que 1,02 bilhão de pessoas estão subnutridas no mundo todo em 2009", diz o documento, divulgado na sede da organização, em Roma. "Isto representa mais pessoas com fome do que em qualquer outra época desde 1970 e uma piora das tendências que já estavam presentes antes mesmo da crise econômica."
"A meta da Cúpula Mundial sobre Alimentos (de 1996), de reduzir o número de pessoas subnutridas pela metade, para não mais do que 420 milhões até 2015, não será alcançada se as tendências que prevaleceram antes da crise continuarem", acrescentou o relatório.
A FAO afirma que as regiões da Ásia e Oceano Pacífico têm o maior número de pessoas subnutridas, 642 milhões, seguidas pela África Subsaariana, com 265 milhões de pessoas.
No entanto, o relatório também afirma que alguns países apresentaram uma melhora dramática nos níveis de subnutrição desde 1990, incluindo Brasil, Vietnã, Arábia Saudita e México.
"Nenhum país está imune e, como sempre, são os países mais pobres e as pessoas mais pobres que sofrem mais", diz o texto.
Diminuição na ajuda
O relatório da FAO foi lançado por ocasião do Dia Mundial da Alimentação, que ocorre na sexta-feira.
O documento afirma também que a crise econômica reduziu a ajuda estrangeira e o investimento em países mais pobres, além de diminuir o envio de dinheiro dos que trabalham em países mais ricos.
A agência da ONU afirma que é necessário mais esforço internacional para diminuir a fome no mundo e também pede mais investimentos internacionais em agricultura e dispositivos de segurança para a economia em países mais pobres "apesar dos problemas financeiros enfrentados por governos do mundo todo".
Nesta quinta-feira, o diretor-geral da FAO Jacques Diouf deve apresentar uma série de propostas para ajudar os países mais afetados pela fome.
Brasil
O Índice Global de Fome, uma pesquisa publicada pela Unidade Internacional de Pesquisa em Política Alimentar (IFPRI, na sigla em inglês), revelou que a República Democrática do Congo foi o país com o maior aumento da fome desde 1990, seguido por Burundi, Comores (arquipélago no Oceano Índico) e o Zimbábue.
Por outro lado, de acordo com o índice, alguns países demonstraram uma grande melhora nos níveis de subnutrição desde 1990. Em primeiro lugar está o Vietnã, seguido pelo Brasil.
Ao citar as medidas adotadas pelo Brasil para a melhora nos níveis de subnutrição, o relatório cita programas do governo como o Fome Zero, o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida e também o aumento do salário mínimo.
O relatório descreve também uma "crise no preço dos alimentos", pois estes preços se estabilizaram em um nível muito alto para muitas pessoas em países em desenvolvimento.
E como solução, o documento sugere que dar mais poder para mais mulheres nos países em desenvolvimento, por meio de educação e mais acesso a empregos, é a chave para diminuir a fome no mundo.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

OIA - Biosistemas integrados



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Lagos de Peixes
Projeto RJ - Brasil
Agua retorna limpa 
Projeto RJ - Brasil
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Horta fruto do processo
Projeto RJ - Brasil
Biogás
Adquirido no processo



 BIOSISTEMAS INTEGRADOS - Conceito





Significa a mudança no conceito de modelo produtivo, onde deixa-se de lado a forma linear de produção em que os resíduos são considerados normais e parte-se para um sistema integrado onde tudo tem utilização e pode ser reaproveitado como matéria prima para um novo ciclo de produção. Esta reformulação conceitual anuncia uma nova revolução onde a espécie humana busca imitar os ciclos sustentáveis da natureza. Ao invés de esperar que a terra produza cada vez mais, deve-se aprender a fazer mais com o que a terra já produz : A utilização total das matérias-primas, acompanhada do uso de energias renováveis, significa que a utilização dos recursos terrestres podem ser mantidos em níveis de sustentabilidade. O conceito de Bio Sistema Integrado (BSI) foi desenvolvido no Brasil pelo especialista em Permacultura Prof. George Chang, pelo Presidente da Fundação Gaia Prof. Jose Luzenberger e pelo Presidente do Hamburger Umweltinstitut e. V. Prof. Michael Braungarten, com patrocínio da União Européia, coordenação científica da engenheira biológica Katja Hansen e direção internacional do jornalista Douglas Mulhall.









 
BIOSISTEMAS INTEGRADOS - Definição do Sistema :
Ao longo dos últimos 12 anos, o conceito de Bio Sistema Integrado (BSI) difundido pelo OIA, pode ser testado em Chengdu na China, Extremadura na Espanha, Matagalpa na Nicarágua, além do Brasil, onde já atua nas regiões Sudeste, Centro Oeste, Norte e Nordeste, totalizando 70 projetos que atendem a cerca de 15 mil pessoas. Toda forma de resíduo orgânico animal ou vegetal pode ser tratada e re-inserida em novo ciclo, mas são as dejeções humanas nas áreas urbanas e os resíduos de animais e da agricultura nas zonas rurais que melhor podem fazer uso do conceito de BSI.
Os BSI podem ser adaptados a cada situação local. Para residências e sítios de lazer a forma mais utilizada é a que se compõe de: biodigestor com filtro e dispersão do efluente tratado em zonas de raízes para fertirrigação seja dos jardins como de áreas de cultivo; para comunidades com até 500 moradores tem sido instalado duplo biodigestor com caixas separadoras de lodo seguido por filtro de contacto com paredes de transbordamento e represamento; para áreas agrícolas o OIA sugere sempre pesquisar o que já existe funcionando na região para otimizar a inversão. Os modelos mais usados tem sido de biodigestores em série com tamanhos que variam de 10 a 100 metros cúbicos por unidade. Filtros e áreas de contacto com zonas de raízes, tanques de algas, peixes, macrófitas, composteiras, zonas de cultivo ou recuperação de áreas degradas são fundamentais para o reuso do efluente tratado nos biodigestores. As três versões reduzem coliformes, DBO e DQO acima de 90%, atendendo as normativas de saneamento.
Melhoramentos como tanques profundos e produção intensiva permitem um gerenciamento mais eficiente da terra, abrindo assim um número maior de usuários.
Processados em biodigestores e filtros de contato, tanques de oxidação, sedimentação, aeração, peixes e macrófitas, os resíduos, livres de carga poluente, são utilizados na criação de peixes e aves, e na adubação de flores e hortaliças. O biogás é utilizado para cozinhar.
Esta tecnologia saneia o habitat humano, agrega valor a cadeia produtiva e preserva o meio ambiente, já que o tratamento devolve a água ao rio em estado de balneabilidade, sem riscos de contaminação à natureza.
 BIOSISTEMAS INTEGRADOS - Processos :
O tratamento biológico de dejeto humano está definido como processos naturais de purificação de águas servidas com a reciclagem de nutrientes para recuperação de áreas degradadas, para agricultura e uso de energia renovável (biogás) obtida no processo.
Alguns aspectos desta tecnologia têm sido aplicados por séculos em muitas partes do mundo e estão sendo adaptados para solucionar os desafios de hoje, como a poluição das águas e a perda de solo fértil.
Melhoramentos como tanques profundos e produção intensiva permitem um gerenciamento mais eficiente da terra, abrindo assim um número maior de usuários.
Processados em biodigestores e filtros de contato, tanques de oxidação, sedimentação, aeração, peixes e macrófitas, os resíduos, livres de carga poluente, são utilizados na criação de peixes e aves, e na adubação de flores e hortaliças. O biogás é utilizado para cozinhar.
Esta tecnologia saneia o habitat humano, agrega valor a cadeia produtiva e preserva o meio ambiente, já que o tratamento devolve a água ao rio em estado de balneabilidade, sem riscos de contaminação à natureza.
 BIOSISTEMAS INTEGRADOS - Conceito
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Foto Estágio 01
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BIOGESTOR HAITI - 2009
BIOGESTOR HAITI - 2009

Estágio 01: O esgoto produzido é coletado e levado ao biodigestor o mais próximo possível das residências.
Estágio 02: O biossólido é retirado periódicamente, desidratado ao sol e aproveitado como adubo orgânico.
Estágio 03:O gás é utilizado na cozinha dos Centros Comunitários onde o Biossistema foi implantado.
Estágio 04: A água flui para a estação de reciclagem dos nutrientes com tanques de sedimentação aeração e oxigenação por algas verdes
Estágio 05:Na etapa seguinte, a água passa por lâminas sutis, seguindo para o tanque de peixes onde crescem tambacús, pacús, curimatãs, tilápias e segue por gravidade para os tanques de macrófitas
Onde não se constrói tanques, um filtro biológico é instalado após a caixa de compensação do biodigestor, seguido por zona de raízes que filtram e por evapotranspiração consomem a maior parte do efluente
Clique aqui, fale conosco e saiba mais sobre BioDigestores.
 BIODIGESTORES
Vantagens dos BioDigestores :

  • Totalmente estanque;




  • Limpeza do digestor a cada 5 anos em média: o material pode ser utilizado como adubo após secagem ao sol por 30 dias.




  • Custo: Embora com custo inicial maior, não necessita de manutenção e gera nutrientes e bio-gás.




  • Pode ser integrado ao paisagismo se complementado com lagos de plantas aquáticas e peixes.




  • Seu efluente pode ser utilizado na ferti irrigação por infiltração nas raízes das plantas.




  • Tem aprovação dos órgãos ambientais.



  • Biodigestores são equipamentos hermeticamente fechados e servem para tratar resíduos organicos. São capazes de reduzir até 70% a materia organica e por isso são acoplados a biofiltros que aumentam sua capacidade na remoção de carga organica, podendo chegar a 90% de eficiencia. Os biodigestores possuem tres fases de fermentação: acidogênica, acetogênica e metanogênica. Esta ultima é a responsável pela produção do biogás, mistura de metano e carbono que pode ser usada como fonte de calor, combustivel, energia. O biossólido resultante desses processos de fermentação é de alto valor nutricional para as plantas e o líquido gerado no efluente pode ser utilizado para fertirrigação e cultivo em geral.
    Clique aqui, fale conosco e consulte-nos sobre as vantagens de sistemas Biodigestores na construção.
    Os biodigestores mais conhecidos são os de modelos chines de cúpula fixa, construidos em alvenaria de tijolos maciços com especial enfase na impermeabilização. Os modelos indianos foram bastante utilizados para obtenção de adubo organico, porém sua campana movel e de ferro dificulta sua instalação em áreas de dificil acesso ou que não tenha energia elétrica, além de necessitarem revestimentos periódicos das partes metálicas. Os modelos de lona também conhecidos como planta balão, são de fácil replicação, porém requerem cuidados especiais com proteção para não serem rompidos por agentes externos.
    Podem ser usados desde uma residencia, numa comunidade, rua ou até para uma cidade inteira. As propriedades agrícolas podem usufruir de energia grutuita a partir da instação de biodigestores. A literatura informa que seus processos fermentativos são capases de minimizar os enteropatógenos classicos, reduzir em 99% os ovos de esquistossomos, tornando-os muito úteis no controle de agentes patogênicos, tudo isto aliado a processos de Educação Ambiental e Educação Sanitária.acús, pacús, curimatãs, tilápias e segue por gravidade para os tanques de macrófitas
    Onde não se constrói tanques, um filtro biológico é instalado após a caixa de compensação do biodigestor, seguido por zona de raízes que filtram e por evapotranspiração consomem a maior parte do efluente
    Conheça abaixo alguns Biodigestores implantados pelo OIA :
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     BIOSANEAMENTO
    Bio Saneamento: Saneamento ambiental na comunidade Sertão do Carangola: reflexo de uma nova visão das relações sociedade/natureza
    1. Introdução

    A partir da segunda metade do século XX, com os constantes desastres ambientais ocorridos ao redor do mundo, tornou-se de suma importância situar a humanidade diante da natureza e de seus processos, levando-nos a rever os hábitos de consumo e as formas de produção material, presentes na forma capitalista de produção, a qual afeta diretamente o meio ambiente, causando muitas vezes danos irreversíveis ou de difícil recuperação.
    Até o século XIX, a compreensão das relações entre a sociedade e a natureza vinculadas ao processo de produção capitalista desenvolveu-se com base na concepção de uma natureza objeto dominada pelo homem, tida como fonte infindável de recursos para um intenso processo de industrialização.
    Porém, nas décadas de 60 e 70 percebeu-se que os recursos naturais são finitos e que os impactos negativos provocados pela exploração contínua e intensa das riquezas da Terra, nos leva cada vez mais à um desenvolvimento econômico insustentável.
    Assim, como reflexo do surgimento da consciência ambiental, podemos observar no fim dos anos 60 o nascimento de Organizações Não-Governamentais (ONGs), que atualmente estão espalhadas pela maioria dos países, possuindo como objetivo principal pressionar os Estados e a iniciativa privada a fim de que se promova um desenvolvimento sustentável baseado na preservação ambiental.
    Neste contexto, podemos destacar o papel do Instituto Ambiental - OIA, que é uma entidade sem fins lucrativos, com sede em Petrópolis, RJ, criado em 1993 com o objetivo de desenvolver no Brasil técnicas alternativas e biológicas de tratamento de esgotos residenciais com reciclagem de nutrientes de biomassa e produção de biogás através de biossistemas, evitando-se assim as grandes redes de esgoto e permitindo o reuso tanto da água ( a qual nos dias atuais constitui-se em um bem natural cada vez mais escasso), quanto do biossólido para a produção sustentada de alimentos e recuperação de solos degradados.
    O presente trabalho irá destacar a implantação pelo OIA em parceria com o Seop- Serviço de Educação e
    Organização Popular e com a Associação de Moradores local, do primeiro biossistema completo na comunidade Sertão do Carangola, localizada em Petrópolis, RJ.
    Antes porém, é de fundamental importância que façamos uma breve investigação da visão dialética marxista, na medida em que o conceito marxiano de natureza, o qual valoriza o papel das relações econômicas, possibilita uma compreensão da problemática ambiental contemporânea e de suas consequências, embora os interesses e as relações de poder analisadas por Marx tenham se modificado na fase atual do capitalismo, fato que não diminuiu sua enorme influência teórica e prática em todo o mundo.

    2. Dialética da Relação Sociedade/Natureza: Produção de Valor e Articulação do Espaço.
    Na abordagem marxista as relações entre sociedade e natureza são baseadas nas formas como determinada sociedade se organiza para o acesso e uso dos recursos naturais.
    Nesta relação o homem atua sobre a natureza com o objetivo de se apropriar de suas matérias para a satisfação de suas necessidades orgânicas, e no que ele a transforma, transforma também sua própria natureza, caracterizando assim uma relação dialética.
    Nesta concepção o conceito de trabalho é fundamental, pois seu processo é , antes de tudo, uma transação entre o homem e a natureza, em que o primeiro enfrenta a natureza, ele próprio como uma força natural, através de suas características peculiares, que o distingue do animal em seu esforço inconsciente de sobrevivência.
    Dessa forma, o conceito marxista de intercâmbio orgânico introduz uma nova concepção de relação do homem com a natureza, na qual a natureza se humaniza e o homem se naturaliza, estando a forma historicamente determinada em cada situação.
    A natureza trabalhada transforma-se em categoria social a medida que incorpora valores de uso, e a sociedade em categoria natural.Com a produção de um excedente torna-se possível a troca regular de valores de uso, na qual o trabalho tomado por si mesmo não apresenta qualquer relação capaz de iniciar uma dialética social, cabendo esse papel à mercadoria que é em si mesma, simultaneamente, valor de troca e valor de uso.
    Com a produção para troca, a produção da natureza passa a ocorrer em grande escala, na qual os objetos produzidos só se tornam valores em sua relação social.Para a sobrevivência e expansão contínua do modo de produção capitalista torna-se necessária a apropriação e transformação da natureza enquanto meios de produção em escala mundial, no qual um determinado espaço será dinamicamente apropriado e modelado conforme os interesses do capital.
    Dessa maneira, o espaço reflete os resultados dos processos naturais e sociais que coexistiram até o presente momento, sendo seu valor estabelecido pela quantidade, qualidade e variedade dos recursos naturais disponíveis, assim como dos recursos construídos por meio do trabalho, que é potencializado pela técnica, sem a qual não haveria produção do espaço.
    Podemos assim concluir que o desenvolvimento desigual no tempo e a ocupação distinta de um espaço fragmentado, homogeneizado e hierarquicamente estruturado constituem características marcantes da dinâmica do desenvolvimento capitalista.

    3. Técnica e Produção do Espaço

    Desde o século XVI a ciência e a técnica constituem elementos fundamentais na consagração da capacidade do homem de dominar a natureza, tendo em vista objetivos práticos e econômicos.
    No processo de desenvolvimento capitalista, a conquista e integração do espaço tornou-se uma preocupação cada vez maior com relação à sua sobrevivência.
    Até o final do século XIX, o capitalismo procurou universalizar o modo de produção, porém a partir do século XX, a produção do espaço passa a ocorrer mais pela diferenciação interna do espaço global.
    Com o surgimento da forma de produzir fordista e a intensificação da atividade industrial, as técnicas se tornaram cada vez mais evoluídas e foram multiplicadas em massa, ocupando o teritório.
    Na sociedade capitalista moderna a adequação do meio ambiente às necessidades sociais se dá no contexto dos interesses dos grupos sociais que dirigem uma forma de produção fundamentada no progresso técnico e avanço tecnológico, que são orientados para atender aos fins da acumulação. Dessa forma, o avanço da técnica vem intensificando o domínio sobre a natureza, levando ao surgimento de restrições impostas pelo espaço modificado em substituição às restrições naturais.Até a metade do século XX, o complexo econômico-científico se limitou a consumir a matéria existente na natureza, porém após a Segunda Guerra Mundial com o grande avanço técnico e científico, o complexo não se limitou simplesmente a intervir na natureza, mas passou a produzir uma outra natureza, para que dela pudesse se emancipar plenamente. Como exemplo temos o desenvolvimento de tecnologia atômica frente às possibilidades de escassez de energia fóssil.
    Dentro deste contexto, torna-se claro que atualmente quando as possibilidades técnicas se concretizam, nos parece mais provável que, quando realizadas de forma negativa , venham a se transformar em forças destrutivas. Tal fato levou ao surgimento da chamada "revolução ambiental", promovendo grandes mudanças no comportamento da sociedade e em sua organização política e econômica, levando-nos a questionar pela primeira vez a ciência e a tecnologia.

    4. Os Movimentos Ambientais

    Na Geografia Clássica, o ambiente natural é colocado como condição ou obstáculo para o desenvolvimento de determinada sociedade. Porém, a partir dos anos 60, com a Geografia Crítica, passou-se a enfatizar o papel do capitalismo tecnológico e seu caráter predatório com relação aos recursos naturais. A natureza passou a sofrer um processo de "desnaturalização", no qual o risco maior é a própria capacidade do espaço físico de suportar tantos objetos industriais. Hoje, os constantes desastres ambientais têm levado à uma maior conscientização, provocando o surgimento de movimentos de resistência, havendo a mobilização de comunidades em defesa de seu espaço geográfico e contrárias à devastação do meio natural em nível local.
    Neste contexto, as ONGs assumem grande importância, pois alteram comportamentos e visões de mundo, colaborando para uma nova concepção das relações sociedade/natureza. O surgimento de novos valores reflete-se na existência de diversas concepções ambientalistas. Dentre estas podemos citar as principais correntes ecológicas. São elas:
    - Neomalthusiana: de caráter extremamente conservador defende o ponto de vista de que a sobrevivência do planeta só será possível com a elaboração de planos internacionais para frear o crescimento demográfico, sendo a multiplicação dos pobres o principal problema da sociedade;
    - Anarquista: os ecoanarquistas defendem a construção de "comunidades orgânicas", nas quais o homem pode viver em harmonia com a natureza, na medida em que cultive a cooperação e não a competição, nem a hierarquia ou o poder de Estado, criticando assim a estrutura do capitalismo;
    - Ecologia Profunda: questiona o excesso de consumo dos recursos naturais por parte da sociedade. Defende a mudança de atitudes, valores e estilos de vida por parte de cada indivíduo. Vê a Terra com um único organismo vivo, onde os seres humanos estão interconectados com o universo;
    - Ecossocialista: defende a queda definitiva do capitalismo e a eliminação de todas as formas de injustiça social apontando assim para o fim da propriedade privada e a aproximação com a natureza.
    Apesar da grande diversidade do discurso ecológico há um consenso de que o assunto é de extrema relevância em relação à questão da sobrevivência humana, tendo a expressão desenvolvimento sustentável adquirido grande força nos discursos políticos do mundo atual. É importante ressaltar que o movimento ecológico tem provocado algumas mudanças de atitude, como, por exemplo, a implantação de reservas naturais e o crescimento de agências governamentais relacionadas à questão ambiental e aumento de leis ambientais.
    No Brasil, o acelerado crescimento econômico dos últimos 40 anos provocou uma crise ambiental, levando ao surgimento de movimentos ecológicos no país, destacando-se a atuação das ONGs (especialmente na Amazônia, que constitui-se em área de interesse internacional devido à sua ampla biodiversidade). Entretanto, a elite brasileira, em geral, tem rejeitado o discurso ecológico, o que se reflete num padrão de acumulação e comportamento que provoca grandes impactos negativos sobre o meio ambiente.

    5. Biossistema Integrado na comunidade Sertão do Carangola, em Petrópolis, RJ

    O processo de industrialização consome e contamina um grande volume de água, a qual através de grandes redes de esgoto, é despejada nos rios sem apresentar nenhum tipo de tratamento, colaborando assim para a intensificação da degradação ambiental. A fim de reverter este quadro O Instituto Ambiental - OIA desenvolve projetos de saneamento ambiental que envolvem o tratamento biológico de dejeto humano com reciclagem de nutrientes e produção de biogás.
    Esta ONG, com sede em Petrópolis, RJ, foi criada em 1993 com o objetivo de desenvolver no Brasil técnicas alternativas e biológicas de tratamento de esgotos, visando a preservação do meio ambiente.
    Inicialmente as técnicas foram repassadas por cientistas alemães da organização Hamburger Umweltinstitut - HUI, a qual implementou em 1991 uma estação básica em Silva Jardim, RJ, que a partir de 1993 passou a ser gerida pelo OIA.
    Em 1994 novos projetos foram replicados, dando-se destaque à implementação do primeiro biossistema completo em Petropólis, RJ, na comunidade Sertão do Carangola, em parceria com o SEOP - Serviço de Educação e Organização Popular e com a Associação de Moradores local. Assim, em 5 mil m2, na comunidade Sertão do Carangola - para onde 3 mil desalojados se mudaram em 1982, 1986 e 1988, devido as enchentes ocorridas em Petrópolis - o tratamento local do esgoto através de biossistemas transforma água insalubre em água a nível de balneabilidade com a produção de adubo orgânico para a hoirta-pomar. O biossistema integrado significa uma mudança no conceito de modelo produtivo, pois deixa-se de lado o modelo linear, no qual os resíduos são considerados inúteis, e parte-se para um sistema integrado e renovável onde tudo tem utilização e pode ser aproveitado.O funcionamento do biossistema se dá por meio das seguintes etapas:

  • Os dejetos são canalizados para o biodigestor (implementado pelos chineses), no qual por meio destes se produz o biogás utilizado para cozinhar.




  • Em seguida, o efluente do biodigestor segue para tanques de sedimentação/ oxidação por algas verdes
    (as quais servem de alimentos para os patos).




  • Por gravidade, a água passa por lâminas sutis e cai no tanque de peixes (Tilápia vermelha e preta), que se alimentam de algas e micro-organismos, produzindo novos nutrientes. A minialzina aí instalada permite uma maior oxidação para os peixes.




  • A água segue para os tanques com macrófitas (plantas aquáticas), que reciclam os nutrientes. As macrófitas são utilizadas para fertilização do solo e alimentação das aves, sendo que o excedente vai para a composteira junto com os restos de colheita e biossólido para ser usado na época de maior necessidade para o plantio.
    Este sistema pode ser replicado e mantido por pessoas da própria comunidade, o que gera novos postos de trabalho e renda.
    Na estação piloto do Sertão do Carangola, o SEOP fornece uma ajuda de custo para os nove adolescentes que cuidam da horta, os quais devem estar freqüentando a escola.
    As verduras e legumes produzidos são vendidos em feiras próximas, contribuindo para o aumento da renda mensal das famílias destes adolescentes.
    Uma vez por mês estes jovens pescam no tanque de peixes, os quais segundo análises de diferentes laboratórios são aptos para consumo.
    O biogás produzido é utilizado para cozinhar, sendo canalizado para o Centro Educacional Infantil Casa da
    Paz , o qual atende por volta de 50 crianças em idade de 2 a 5 anos.
    A princípio houve certa resistência por parte da comunidade à implantação do biossistema, em conseqüência do mau cheiro e da proliferação de mosquitos. Porém, com o aprimoramento das técnicas tais problemas foram solucionados, utilizando-se, por exemplo, a criação de patos, que comem as larvas dos mosquitos.
    6. Conclusão
    Por meio dos constantes desastres ambientais relacionados ao modo de produção capitalista, percebe- se claramente uma forte contradição entre seus princípios básicos de funcionamento e a busca de um maior equilíbrio ambiental.
    Neste contexto, o desenvolvimento de projetos que buscam uma maior conscientização ecológica através da utilização racional dos recursos naturais é de suma importância para a construção de uma nova concepção das relações sociedade/natureza, a qual rompe com a dicotomia entre o homem e o meio natural.
    A implementação de uma estação de tratamento biológico de esgotos na comunidade Sertão do Carangola, em Petrópolis, RJ, é um exemplo claro das mudanças ocorridas ao nível do surgimento de novos valores e visões de mundo, os quais se baseiam na preservação da natureza por meio de um desenvolvimento econômico sustentável.

    Referências Bibliográficas: BERNARDES, Júlia Adão e FERREIRA, Francisco Pontes de Miranda (2003): Sociedade e Natureza. In: CUNHA, S. B. da e GUERRA, A. J. T. (org.): A Questão Ambiental: Diferentes Abordagens. Editora Bertrand Brasil, Rio de Janeiro. DUARTE, Rodrigo A. de Paiva (1986): Marx e a Natureza em O Capital. Edições Loyola, São Paulo.



  • Os desafios da gestão compartilhada - autor: Juarez de Paula-



    Fonte: Desenvolvimento & gestão compartilhada
    Os principais são a falta de credibilidade dos governos, a dificuldade de envolver os grupos políticos, o excesso de imediatismo e a falta de continuidade

    O desenvolvimento local integrado e sustentável (DLIS) é apenas uma das estratégias de planejamento e gestão compartilhada de desenvolvimento. A seguir, os principais desafios do DLIS.

     

     

    Credibilidade do poder público
    A primeira dificuldade na divulgação da gestão compartilhada é a baixa credibilidade do poder público (municipal, estadual ou federal). A população tem razões para duvidar do compromisso dos governos em respeitar os resultados de um processo participativo.

    Nos últimos dez anos, a maior parte dos programas e projetos governamentais tem exigido algum tipo de participação popular. Multiplicaram-se os conselhos setoriais, mas a maioria não funciona de fato, são controlados pelos prefeitos e só existem para cumprir uma exigência na obtenção do repasse de recursos. 


     

    A gestão compartilhada precisa ser uma conquista da sociedade, ou seja, uma forma de radicalizar a democracia, ampliando as possibilidades de participação e controle social na gestão pública. 


    Pluralidade
    Outro grande desafio é conseguir compor o Fórum ou Conselho de Desenvolvimento Local como um colegiado efetivamente plural, representativo, democrático e participativo. A primeira dificuldade é conseguir envolver os grupos políticos rivais. Nas localidades pequenas, a disputa política é muito personalizada e as lideranças rivais se recusam até mesmo a freqüentar o mesmo ambiente.

    Outra dificuldade é convencer os vereadores de que o Fórum ou Conselho local não concorre com eles. Ambiente de debate sobre o futuro da localidade, é o lugar ideal para a defesa de propostas, onde as lideranças políticas podem afirmar seu papel de representantes de interesses coletivos.


    Capacitação dos Conselhos
    Como todo colegiado, os Fóruns ou Conselhos locais tendem a uma certa rotatividade entre seus membros. Muitos perdem a motivação inicial e abandonam o grupo. Outros passam a ter interesse no processo depois de perceberem seus resultados. 



    Isso coloca o desafio de criar oportunidades de capacitação dos Fóruns ou Conselhos locais para manter a motivação dos integrantes e para desenvolver os conhecimentos e competências necessários.

    Quando o Fórum ou Conselho local também se torna um ambiente de capacitação, cresce a adesão dos participantes, porque as pessoas passam a obter uma vantagem imediata com a sua participação. 


     

     

    Planos locais
    Um enorme desafio é fazer com que os planos e agendas locais não se transformem em reivindicações particulares ou de grupos. A negociação da agenda com organizações governamentais e não-governamentais muitas vezes leva a comunidade a considerar esse momento como uma oportunidade de reivindicar tudo o que até então não conseguiu obter.

    Isso é legítimo, sobretudo em localidades muito carentes. Ocorre que nem sempre essa lógica reivindicativa resulta em ações que levam ao desenvolvimento.

    Na elaboração dos planos e agendas, é muito importante discutir conceitos como:


    ·         Vocações do município;

    ·         Potencialidades;

    ·         Oportunidades;

    ·         Vantagens comparativas e competitivas.

     

     

    Imediatismo
    Muitas vezes o Fórum ou Conselho entra em crise devido à ausência de resultados imediatos. Isso pode ser falta de visão estratégica. A maioria das pessoas não está acostumada a planejar ações de curto, médio e longo prazo. A perspectiva é sempre imediatista. Se não há resultados visíveis e imediatos, tendem a considerar que nada está acontecendo.

    Mas, na verdade, as coisas não acontecem desse modo. Muitos negócios exigem anos de planejamento, estudos e investimentos para gerar resultados. Na vida profissional, mesmo em atividades tidas como simples, é necessário algum tempo de aprendizado, treinamento e experiência. Toda obra requer um projeto e um prazo para execução. Assim também é com o desenvolvimento local.


    Continuidade
    Estratégias de planejamento e gestão compartilhada do desenvolvimento local exigem tempo de maturação. Não se consegue constituir um Fórum ou Conselho de Desenvolvimento Local com autonomia e sustentabilidade em pouco tempo. O mesmo com as ações de uma agenda local. Por isso, tais estratégias precisam ter continuidade por um longo período.